segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Crianças que recebem colo dos pais se tornam adultos mais confiantes

Dez entre dez pais ou mães já ouviram conselhos como: “Deixa essa criança no berço! Você fica pegando toda hora. Ela vai ficar mal-acostumada”. No entanto, quem tem filhos sabe que é impossível ignorar o choro de um bebê que implora por um toque. 
Vários pediatras e especialistas em puericultura discordam do conceito de que o colo “estraga” o bebê, difundido desde o tempo das nossas avós. 
Agora, há mais uma prova disso. Realizado por pesquisadores da área de psicologia da Universidade de Notre Dame, um novo estudo concluiu que adultos que receberam carinho e colo à vontade na primeira infância são menos ansiosos e têm uma saúde mental melhor.
Para chegar a esse resultado, os especialistas convidaram 600 adultos para responder questionários sobre quando eles eram crianças e também sobre a vida atual. Além de descobrir que, entre os participantes, aqueles que haviam sido mais acalentados pelos pais quando pequenos tinham uma probabilidade menor de desenvolver distúrbios psíquicos, o estudo também confirmou o que muitas famílias já sabem por instinto, mas é sempre bom lembrar: crianças que recebem atenção e mais tempo de qualidade junto dos pais se tornam adultos mais saudáveis e com mais habilidades sociais.

Atitudes dos pais influenciam crianças até a vida adulta

De acordo com os pesquisadores, o que os pais fazem nesses primeiros meses e no primeiro ano de vida dos filhos influencia na maneira como o cérebro deles se desenvolve pelo resto da vida.  “Que os pais os abracem, que os toquem, que os embalem. Isso é que os bebês esperam.  Eles crescem melhor dessa maneira. Isso os mantém calmos porque todos os sistemas corporais e neuronais ainda estão se estabelecendo, descobrindo como vão funcionar. Se os adultos deixam que os bebês chorem muito, esses sistemas desenvolverão um gatilho fácil para o estresse. Por isso, os adultos que tiveram menos contato e menos carinho costumam ter reações de estresse mais vezes e sentem dificuldades para se acalmar”, diz Darcia Narvaez, professora de psicologia da Universidade de Notre Dame e líder da pesquisa .

Por que dizer que o colo faz mal?

Ainda que hoje vários estudos e profissionais desmintam a ideia de que o colo faz mal, muita gente continua oferecendo esse tipo de palpite aos pais, principalmente os de primeira viagem. “Infelizmente, essa ideia vem das pessoas que não entendiam ou não conheciam os principais princípios psicoemocionais do desenvolvimento infantil nos primeiros dois anos”, explica o pediatra José Martins Filho, titular emérito de pediatria da Universidade de Campinas (Unicamp – SP) e presidente da Academia Brasileira de Pediatria.
Ter filhos dá trabalho. Além dos cuidados básicos, é preciso encontrar tempo para dedicar carinho e atenção a eles e isso nem sempre é fácil porque, no mundo moderno, os pais acumulam uma série de tarefas. Muitas vezes, o cansaço e a impaciência acabam vencendo. Hoje, é menos comum que pais e mães consigam ficar em casa por muito tempo com as crianças. Por isso, no tempo em que eles estão por perto, não dá para negar um colo quando choram. Até porque, quando se está no olho do furacão pode não parecer, mas essa fase passa rápido demais.
“Hoje, que sabemos que o vínculo, o afeto e o carinho são importantes na prevenção de problemas emocionais futuros, as coisas, felizmente, estão mudando, embora ainda vejamos, às vezes, pessoas falando esses absurdos”, reflete o especialista.

Mais tempo de qualidade com os filhos

Como, então, os pais podem passar mais tempo de qualidade com as crianças? Tanto para quem trabalha fora e fica o dia inteiro longe, como para quem fica em casa, mas passa o dia tentando cumprir todas as tarefas, que não costumam ser poucas, o jeito é focar na qualidade desse tempo em família. O período pode ser mais curto do que os pais gostariam, mas, nessa hora, é importante se entregar realmente à criança. “É preciso oferecer um colo calmo, paciente e carinhoso porque pegar uma criança com irritação e demonstrando impaciência é ruim. Sacudindo e falando alto acaba assustando mais do que acalentando”, explica Martins Filho. Todo mundo sabe que, hoje, não é fácil, mas o ideal é deixar o celular de lado, pelo menos por um tempo, para garantir que você está ali por inteiro.
Texto retirado: Revista CRESCER

terça-feira, 6 de outubro de 2015

É tempo de agradecer


Dez anos se passaram, e parece que foi ontem mesmo... 

A dez anos atrás, um sonho se realizava, o “nascimento” da Escola de Educação Infantil “Ser Criança”...

Foi tudo planejado com tanto carinho, tanto amor, tanta expectativa, que o resultado não poderia ser outro: o SUCESSO!

“Sucesso” porque somos uma escola reconhecida na cidade, somos visitada o ano todo por pessoas que “escutam” falar bem da nossa estrutura, da nossa metodologia, da nossa equipe nota 10!

E por isso tudo, “é tempo de agradecer”... Embora agradeço diariamente a Deus e Nossa Senhora Aparecida por TUDO o que fizestes em minha vida: a saúde e disposição ao levantar cedinho e vir trabalhar num ambiente tão abençoado e iluminado; o discernimento nas atitudes e condutas com as crianças, pais e funcionárias; a força e perseverança para superar os obstáculos do dia a dia... enfim, é tempo de agradecer e sempre será pela oportunidade de desfrutar da magia de “SER CRIANÇA”...

E que venham mais um, dois, dez, vinte, cinquenta anos de bom trabalho dedicado exclusivamente às nossas crianças!!!

Abraços a todos os que fizeram _fazem_ parte desse sonho realizado!


Carinhosamente, Tia Mara.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

As crianças estão estressadas e muitos pais não estão percebendo

Que nota você daria ao seu nível de estresse de 1 a 10? E ao nível de estresse do seu filho? Essas duas perguntas foram feitas a 432 pais de crianças com idades entre 5 e 13 anos, em uma pesquisa realizada pelo portal médico WebMD, nos Estados Unidos. A conclusão dos especialistas? Os adultos estão tensos, mas não percebem quando essa mesma tensão se manifesta nos pequenos.
Um em cada cinco adultos classificou seu próprio nível de estresse com um 10. Mais da metade deles (57%) deu uma nota maior que 7 à tensão. Quando se tratava dos filhos, no entanto, a situação foi diferente: 60% dos pais atribuíram notas abaixo de 4. O estudo também revelou que 72% das crianças demonstrava sinais que podem ser relacionados ao estresse, como dor de cabeça, dor de barriga, muito choro e reclamações excessivas.

Por que as crianças estão estressadas?
A própria pesquisa aponta vários motivos. Embora os pais tenham relacionado o estresse à escola (53%) e aos amigos (51%), a chave do problema parece estar no próprio ambiente doméstico. A maior parte das famílias tinha enfrentado certas turbulências no último ano. 27% teve problemas financeiros ou desemprego, 19% enfrentou doenças graves de um membro da família ou de um amigo próximo, 21% precisou lidar com a morte de alguém da família ou próximo, 9% teve um processo de divórcio ou separação e 31% passou por algum tipo de situação emocionalmente complicada.
"A infância está mais estressante hoje do que era há algumas décadas", diz Carmen Alcântara, psicóloga clínica de São Paulo (SP). Para ela, a sociedade tem colocado muitas expectativas de sucesso econômico, profissional e pessoal nas crianças, de forma cada vez mais precoce. "As agendas de cursos extracurriculares de uma criança de cinco anos, hoje, compete com as de grandes executivos. Sobra pouco tempo para brincar livremente, descansar, conectar-se a natureza", analisa a psicóloga. Há ainda os estímulos eletrônicos e da mídia, que expõem as crianças muito cedo à violência, à competitividade, ao consumo e  à sexualização. Diante desse quadro, como não se estressar?

Os sinais perdidos pelos pais
Se as crianças estão com um nível alto de tensão, como uma parcela tão expressiva dos adultos não percebe? "O estresse infantil passa desapercebido, em primeiro lugar, porque talvez os pais acreditem que a infância é uma fase da vida com poucas responsabilidades, muitas brincadeiras e fantasias. Por consequência, eles podem pensar que o estresse só afeta os adultos", explica a psicóloga.
Outro motivo apontado por ela é que os pais, muitas vezes, esperam que a criança verbalize que a constante dor de barriga ou os resmungos estão relacionados ao estresse, mas isso não acontece. "Além disso, vivemos em um mundo em que, cada vez mais, os adultos se voltam para seus próprios problemas e perdem de vista o que seus filhos estão expressando", afirma.

Como saber se seu filho está estressado
Segundo os pesquisadores esse estado de estafa emocional e mental se mostra tanto no comportamento, quanto na parte física. As crianças podem passar a reclamar ou a chorar mais, ou então, elas podem parecer sempre preocupadas e ansiosas. Algumas passam a se queixar de dor de cabeça, dor de barriga, a ter pesadelos ou problemas para dormir e apresentar mudanças nos hábitos alimentares, o que pode acontecer com um aumento ou com uma diminuição repentina do apetite. "É importante, nesses casos, a família buscar ajuda de um profissional especializado, como pediatra, psicólogo ou psiquiatra infantil", recomenda Carmen.

Cuide-se para poder cuidar dos seus filhos
Uma das principais maneiras de evitar que as crianças se sintam tão estressadas, ainda que a família enfrente alguma situação difícil, é identificar primeiro o estresse dos adultos e tentar lidar com ele. "Dessa forma, é possível evitar passar tanta tensão para a família", orienta a psicóloga.
Além disso, a conexão real entre os pais e as crianças é essencial. Entregue-se às brincadeiras e às fantasias. De acordo com a especialista, os benefícios de entrar de verdade na diversão com seus filhos funcionam tanto para eles, como para você. "Isso pode ajudar os pais a aliviarem o próprio estresse e a aumentar a tranquilidade dos filhos", explica. "Crie oportunidades de maior convívio familiar em situações descontraídas, como fazer piquenique em um parque, empinar pipas, pescar...", sugere. O importante é deixar a zona de conforto formada pelo sofá, pelos jogos eletrônicos e pela televisão.
Outra forma de prevenção é ajudar as crianças desde cedo a identificarem seu próprio estado de humor, como raiva, alegria, medo. "Ao verbalizar o que os pequenos sentem os pais colaboram para que, mais tarde, eles possam se conhecer melhor e saibam como lidar com essas emoções", afirma a psicóloga.

Como lidar com o estresse infantil
Se a criança já apresenta um quadro de estresse, além de procurar um profissional, há outras coisas que os pais podem fazer apara ajudá-la a diminuir essa tensão. "A melhor maneira de melhorar o quadro é tentar identificar as possíveis causas do estresse e modificar o comportamento e o estado de espírito com as crianças e algumas rotinas", explica a psicóloga.
Um dos principais fatores é a qualidade do tempo de convivência em família. Mas atenção! Ficar em frente à TV ou ao celular não vale. "O contato consigo e com o outro precisa ser enriquecedor e não alienante. Isso fortalece a resiliência e nos faz sentir menos afetados pelo estresse. "Ficar diante de uma TV ou nos joguinhos eletrônicos pode dar a sensação de alívio imediato, como uma bebida alcoólica. O alívio, porém, é só naquele momento. Não fortalecemos nosso eu interior, nem os relacionamentos com as pessoas mais importantes das nossas vidas", afirma.

Pense em atividades prazerosas e desconectadas, como cozinhar, passear, conversar, ouvir música, dançar... Assim, você manda o estresse embora e ajuda seu filho a descobrir ainda mais prazer na vida em família.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Mordidas na escola

Nada mais corriqueiro no cotidiano das creches do que uma criança tascar uma mordida em outra. "Essas ocorrências são naturais na Educação Infantil. O que não exime a escola de fazer de tudo para que não se repitam", defende Ana Paula Yazbek, coordenadora do Espaço da Vila, em São Paulo, e formadora de professores. 

Ainda que desprovida de má intenção, a mordida é uma agressão, provoca dor e deixa marca. Por isso, precisa ser combatida. O primeiro passo é identificar as situações em que acontece. "Ela pode significar muitas coisas: demonstração de carinho - por vezes, aprendida em casa, com os pais - ou de interesse pelo colega, disputa por brinquedo, irritabilidade, tédio e até um meio de chamar a atenção", lista Ana Paula. "Não podemos esquecer que nessa faixa etária os pequenos estão desbravando o mundo por meio da via oral", acrescenta Cisele Ortiz, coordenadora de projetos do Instituto Avisa Lá. 

Cientes desses diferentes aspectos, as educadoras do CEIM Cristo Rei, em Chapecó, a 545 quilômetros de Florianópolis, inseriram o tema no projeto político-pedagógico (PPP) e no planejamento dos 21 docentes do berçário e 20 do maternal. 

"O ponto de partida foi conversar com as famílias para explicar o porquê das mordidas, mostrar a normalidade delas no desenvolvimento infantil e assegurar que seriam feitas intervenções pedagógicas para evitá-las", conta a coordenadora pedagógica Juliana Sive Pommerening. Pais e responsáveis foram chamados a uma palestra na escola, organizada com base no textoMordidas: Agressividade ou Aprendizagem?, do livro Os Fazeres na Educação Infantil (Maria Clotilde Rossetti- Ferreira, Telma Vitória, Ana Maria Mello, Adriano Gosuen e Ana Cecília Chaguri, 208 págs., Ed. Cortez, tel. 11/3611-9616, 52,20 reais). 

As educadoras esclareceram que praticamente todas as crianças, entre 1 e 3 anos, em algum momento, usaram ou usarão tal conduta. Disseram também que esse recurso praticamente desaparece quando a linguagem está mais desenvolvida e enfatizaram que ficariam atentas. "Quando a mordida ocorre, é comum as famílias acharem que o filho não está sendo devidamente cuidado. Daí a importância do engajamento e da transparência por parte da instituição", diz Ana Paula. 

Além da parceria com os pais, o CEIM incluiu o tema na rotina e passou a ter um trabalho minucioso tanto para tentar evitar as mordidas quanto para fazer as intervenções necessárias quando ela acontece. A atenção com relação ao problema permeou as diversas atividades realizadas, desde os momentos de leitura até as brincadeiras. Como explica Ana Paula, as ações nesse sentido devem ser parte do dia a dia escolar.


"No início do ano letivo, ocorreram vários casos motivados por disputa de brinquedos e questões afetivas", exemplifica Tatiana Bonato, que leciona para duas turmas de berçário. Sempre que episódios assim ocorriam, a educadora acalmava a vítima e, na sequência, conversava com quem tinha mordido. Em geral, o agredido não entende o porquê daquilo. E o autor do gesto não o vê necessariamente como uma violência. "Orientamos as professoras a confortar a criança ferida e mostrar ao colega o que ele fez. É importante que ele perceba a consequência da ação, mesmo sem ter tido intenção de machucar", diz a coordenadora. Olhar para os meninos e meninas e dizer frases como "Não pode. Dói", sem gritar, é uma boa opção. Com isso, espera-se que eles vão compreendendo que morder não pode ser a melhor forma de se comunicar. 

Vale, também, mapear o primeiro evento, fazendo uma análise detalhada. Como a mordida se deu? A dupla estava brincando? Havia mais gente junto? Um deles estava ansioso para pegar o brinquedo? Ou animado, gargalhando? Havia indícios de irritabilidade? Assim, a educadora vai levantando pistas que auxiliam na compreensão do caso e ajudam a rever a organização das atividades em sala. Como diz o texto Mordidas: Agressividade ou Aprendizagem?, "para acabar com o problema, é preciso pensar sobre a rotina, o espaço, a quantidade e a variedade de brinquedos. Estar atento aos detalhes. Muitas vezes, são eles os fatores desencadeadores de mordidas".

Fonte: Revista Nova Escola

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Campanha de vacinação contra a poliomielite: última semana



A 36ª Campanha Nacional contra a Poliomielite termina na próxima segunda-feira (31/8) e 1,2 milhões de crianças ainda precisam ser vacinadas no Estado de São Paulo, de acordo com o Ministério da Saúde.

O alvo da campanha são crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. Todas devem tomar a gotinha, vacina por via oral, mesmo que já tenham completado o esquema vacinal contra a pólio. Neste caso, a dose servirá como reforço na proteção contra a doença.

O Ministério reforçou em comunicado que a campanha deste ano não será prorrogada, então é importante que os pais levem os filhos a um posto de saúde para receber a vacina até a próxima segunda (31).

Bebês entre 2 e 4 meses deverão receber a dose injetável da vacina contra a poliomielite, que não faz parte da campanha, pois fica disponível o ano inteiro no postos de saúde. A vacina contra a paralisia infantil é a única forma de prevenção contra a doença, que não possui tratamento. Junto com a campanha ocorrerá uma mobilização para atualizar a caderneta infantil de vacinação.

Por isso, ao comparecer a um posto para vacinar o seu filho, não deixe de levar a carteira de vacinação dele. Assim, o profissional de saúde poderá avaliar se existem vacinas em atraso e aplicá-las na hora ou agendá-las para outra data.

Vacinas contra tuberculose, rotavírus, sarampo, rubéola, coqueluche, caxumba, varicela, meningites, febre amarela, hepatites, difteria e tétano estão disponíveis durante a campanha contra a poliomelite.

Esquema sequencial de vacinação contra a poliomielite
2meses - Vacina inativada poliomielite (injetável)
4 meses - Vacina inativada poliomielite (injetável)
6 meses - Vacina oral poliomielite – VOP
15 meses - Vacina oral poliomielite (reforço)
4 anos - Vacina oral poliomielite (reforço)


Fonte: Revista CRESCER

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Por que meu filho quer o brinquedo do amigo?



Seu filho começa a frequentar a escola, faz as primeiras amizades e logo vem o pedido: “mãe, eu quero um brinquedo igual ao do meu amigo”. Acontece que nem sempre dá para ceder aos desejos do pequeno. Entenda as origens deste comportamento e saiba contorná-lo sem contrair dívidas nas lojas de brinquedos...



Por que meu filho quer o brinquedo do amigo?
Existem alguns motivos e um deles é a questão da imitação. “A criança tende a reproduzir o comportamento de pessoas que admira, por isso quer se parecer com elas e ter os objetos que possuem. É algo "natural”, explica a pedagoga Valéria Cantelli _vice-líder do Grupo de Estudos em Educação Econômica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
 
A vontade de se sentir parte de um grupo é outra motivação frequente. “Uma boneca da moda, por exemplo, não é apenas um brinquedo, tem todo um significado de pertencimento por trás. A criança percebe que, dependendo do círculo social em que se relaciona, ter determinado produto significa fazer parte do grupo”, justifica a pedagoga Monica Fantin _professora do Centro de Ciências da Educação da Universidade Federal de Santa Catarina.
 
Para a socióloga Anete Abramowicz _professora do curso de pedagogia da Universidade Federal de São Carlos_ este desejo de ser aceito por meio de produtos iguais ocorre porque a sociedade é construída com base em modelos hegemônicos, como o fato de toda menina ter uma boneca de determinada marca. “É muito difícil para uma criança, sendo tão nova, conseguir afirmar sua singularidade”, conta.
 
No início da infância, a criança é iniciada em diversas áreas da vida. Há o campo da família, do saber, das relações de poder e também o do consumo. “A criança é introduzida no mundo do consumo de uma maneira muito perversa e tem dificuldade de resistir a ele”, conta Abramowicz. Para a psicóloga Laís Fontenelle _do Instituto Alana, em São Paulo_ a publicidade é uma das maiores responsáveis por essa imposição. “A criança é mais vulnerável aos anúncios, pois não tem capacidade crítica e de pensamento formadas, até os 8 anos a maioria ainda confunde a fantasia com a realidade”, esclarece Fontenelle.

Melhor prevenir
Os pais podem minimizar o desejo de consumo dos filhos com algumas atitudes. Para começar, é importante que eles cumpram um clássico: dar o exemplo! Não adianta reclamar que seu filho pediu um brinquedo igual ao do colega se você está endividado porque comprou um carro idêntico ao do vizinho. “Esse negocio de limitar aos filhos o que não limitam a si próprios é besteira, as crianças aprendem com aquilo que fazemos”, avisa Abramowicz.
 
Outra sugestão é reservar um tempo para que a criança pratique outras atividades além de assistir televisão. Assim, ela não se expõe tanto à publicidade. “É preciso que os pais tenham uma rotina para os filhos, com horários e oportunidades para que eles se desliguem dos programas de TV e façam outras coisas”, aconselha Cantelli. Conversar sobre aquilo que está sendo transmitido nos canais também é uma boa alternativa.
 
Critério na hora de escolher a escola também poupa a todos de problemas futuros. “Um colégio que aceita o desfile de vaidades, ou seja, as crianças circulando com os mais variados brinquedos ou que não está de acordo com os valores da família pode não ser uma boa opção”, diz Cantelli.
 
Um pensamento frequente entre os pais não ajuda em nada a conter o desejo de consumo das crianças. Trata-se da intenção de dar ao filho tudo o que não tiveram na infância. “Nessa ânsia de oferecer o melhor, estamos atrapalhando o desenvolvimento da criança. Os pais não consideram que o aprendizado dos limites deve acontecer na infância”, alerta Cantelli. Assim, a criança precisa saber diferenciar desejos de necessidades, esperar e  lidar com os “nãos”. “Essas são preciosas lições para a formação de valores, se desejamos que nossos filhos tenham uma relação equilibrada com o consumo”, conta Cantelli.     

Compro ou não?
Diante da carinha de pidão do pequeno, os pais devem tentar compreender o que há por trás da vontade. “Preste atenção no que aquela atitude quer dizer. Será que a criança quer compensar uma ausência? Ou se sentir incluída?”, questiona Fantin. 
Pergunte a seu filho sobre os brinquedos que ele já tem que são parecidos com o que deseja, como iria empregar o objeto em suas brincadeiras, entre outros pontos. Assim, é possível até fazer com que a criança mude de opinião ou perceba que, de fato, aquele brinquedo é muito importante para ela.
“Se for mesmo tão significativo, os pais podem comprar o produto, porém, é importante valorizar a compra para que não haja uma banalização do presente”, explica Fantin. Uma das maneiras de tornar a compra especial é prometendo-a para uma data específica, que pode ser o dia das crianças, o aniversário, o natal... “Ensine o pequeno a esperar, a cultivar as tradições e a acompanhar, no calendário, quantos dias faltam para a celebração”, aconselha Cantelli. 
 
Outra maneira interessante de lidar com a vontade do filho de ter o brinquedo do amiguinho é propor trocas, que podem ser promovidas pelas escolas. “Já os pais, podem convidar o colega do filho para visitá-lo e pensar nos brinquedos que ele tem e que poderiam complementar a brincadeira dos dois”, sugere Cantelli.
 
Uma boa alternativa é instituir  mesadas, ou melhor, semanadas para as crianças. “A estratégia representa a administração do dinheiro e pode começar a ser feita entre os 4 ou 5 anos”, explica Cantelli. Os pais devem oferecer quantias pequenas e combinar com os filhos que, uma vez por semana, eles irão receber o dinheiro. “Os menores de 11 anos tem dificuldade em lidar com o tempo e com uma quantia maior”, diz Cantelli. Mas, é fundamental que os pais dêem orientações em relação ao dinheiro, para que os filhos saibam o quanto terão que poupar para ter determinado produto.
 
Passando pelas lojas de brinquedo
A família deve estipular regras em relação ao consumo explicá-las aos filhos. Vale reforçar as condições e fazer acordos, antes de uma ida ao shopping, por exemplo. “Deixe claro o que ocorrerá naquele passeio. Por exemplo, explique que vocês estão a caminho do shopping, mas que vão comprar apenas um lanche e ir ao cinema”, conta Fantin. É essencial não ceder ao que foi combinado.
 
Ao deixar as regras claras, é importante saber aplicá-las e dizer “não” quando necessário. “Nesse caso, esclareça por exemplo que, apesar de o amigo ter determinado objeto, você não irá comprá-lo. Se for algo fora do alcance financeiro da família, deixe claro que existe essa diferença social, mas que a criança também deve ser valorizada por aquilo que tem e pode fazer”, conta Fantin.    
 
Mesmo com muita conversa, os pais precisam se preparar para possíveis birras, carinhas de tristeza, choramingos, chantagens, entre outros. “O comportamento de insistência mostra a capacidade de persuasão de seu filho e é comumente usado para alargar limites e conferir  nossa consistência e coerência”, diz Cantelli.

Compras da família
Segundo uma pesquisa realizada com famílias que têm filhos de até 10 anos, pelo canal Discovery Kids, 91% dos pais levam os filhos junto quando vão fazer compras. Assim, a influência das crianças na aquisição de produtos é muito forte.  57% delas opinam nas seleção de biscoitos e guloseimas, 47% na compra de produtos de higiene pessoal, 42% na escolha de sucos e 11% influenciam na aquisição do carro.
 
Quando se trata de decisões que envolvem toda a família, a opinião da criança sobre o assunto pode ser ouvida, desde que a decisão seja de interesse dela. Mas, a palavra final é dos pais. “Uma vez decidido, é fundamental explicar porque a opinião do baixinho foi ou não acatada”, acrescenta Fantin.

Retirado: Bebe.com.br

sexta-feira, 28 de março de 2014

Os meninos são mais apegados à mãe?



Os pais de menino, cedo ou tarde, podem acabar com ciúme da cumplicidade entre mãe e filho...
  
Mas o que está por trás disso?
“A princípio, todo bebê, independentemente do sexo, se identifica com a figura materna, que é seu primeiro objeto de amor”, afirma a psicóloga Ana Cássia Maturano.
À medida que cresce, porém, outras pessoas se tornam importantes na vida dele. 

Enquanto o menino se identifica com o pai, a menina se espelha na mãe – o que faz parte da construção da identidade masculina e feminina, respectivamente...

Entre o terceiro e o quinto ano de vida, com o desenvolvimento da sexualidade, surgiria também uma atração pelo genitor do sexo oposto e, ao mesmo tempo, uma disputa com o do mesmo sexo. Essa teoria, que foi descrita por Freud no século passado, é conhecida por Complexo de Édipo – uma alusão à história da mitologia grega em que o filho se apaixona pela mãe.

“Essa preferência, obviamente, não tem conotação sexual”, diz a psicóloga.
Trata-se apenas da necessidade de atenção da criança de todos que a cercam...

Os pais devem intervir, no entanto, explicando à criança que o casal tem outro tipo de relacionamento – e isso não significa que ela seja menos amada...

E no caso de arranjos familiares onde um dos pais não está presente?
É possível que a identificação ocorra com outras figuras paternas e maternas, até mesmo fora do ambiente familiar.

O problema é que, em alguns casos, tanto o pai quanto a mãe reforçam o sentimento inconscientemente, em vez de combatê-lo de maneira positiva...
... assim, a menina vira a filhinha do papai e o menino, o filhinho da mamãe. “Além de motivar rivalidade e/ou competição ou entre a filha e a mãe ou o filho e o pai para o resto da vida, tal comportamento pode interferir no amadurecimento da criança e, por consequência, nos futuros relacionamentos dela”, alerta Ana Cássia. O menino, por exemplo, buscaria a figura da mãe na esposa.
 
Mas é claro que, teorias à parte, a ligação mais forte com um dos pais pode se perpetuar sem qualquer motivação psicológica, indicando apenas uma questão de afinidade!

Texto retirado da Revista CRESCER.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Você está criando o seu filho como um "rei"? Cuidado!

Uma criança levanta a mão para os pais, grita sem parar e se joga no chão. Provavelmente você já vivenciou ou se deparou com uma cena dessas, já que uma birra aqui, outra ali é normal e inerente ao desenvolvimento das crianças. Quando os chiliques ficam cada vez mais frequentes e já não têm lugar certo para acontecer (escola, casa, restaurante, casa das avós) podem significar um problema comportamental sério chamado Transtorno Desafiador Opositivo.
A criança que sofre dessa condição apresenta, além dos ataques, perda rápida de paciência, dificuldade de seguir regras e de relacionamento e reações agressivas e violentas. Ou seja, todo um contexto que pode prejudicar a qualidade de vida da família.

É justamente sobre esse assunto que o psiquiatra e psicoeducador especialista em transtornos comportamentais, Gustavo Teixeira, decidiu se debruçar para escrever o livro O Reizinho da Casa - Manual para Pais de Crianças Opositivas, Desafiadoras e Desobedientes (R$ 22, Ed. BestSeller), nas livrarias a partir de fevereiro. O título faz alusão à criança que tem todos os seus desejos atendidos por causa da capacidade de intimidar os pais e educadores com seu comportamento agressivo. O especialista traça um perfil do transtorno, levanta os sintomas e propõe maneiras de tratamento que podem ser feitas em casa.
Em entrevista exclusiva à CRESCER, Teixeira fala mais sobre o Transtorno Desafiador Opositivo. Confira...

CRESCER: Quais são os traços de comportamento que fazem da criança “O Reizinho da Casa”?
GUSTAVO TEIXEIRA:
Bem, quando falo em Reizinho da Casa estou me referindo às crianças com comportamento opositivo, desafiador, desobediente e que manipulam pais e familiares. O Transtorno Desafiador Opositivo é uma condição comportamental grave, pois pode diminuir significativamente a qualidade de vida da família. No Brasil, ainda não há estatísticas sobre a incidência deste problema, mas estudos científicos internacionais apontam que a condição pode afetar mais de 10% da população infantil.

C.: A família tem influência para que esses desvios de comportamento aconteçam?
G.T.:
A ciência já sabe que os problemas de comportamento estão relacionados a causas genéticas e ambientais. Isso quer dizer que há uma pré-disposição da criança a ter problemas como o TDO. Por exemplo, se ela é muito impulsiva ou agressiva, tem mais chances de ter o diagnóstico. Embora os cientistas nunca tenham encontrado um fator biológico responsável pelos problemas de comportamento, pesquisas observacionais mostram que pode acontecer de uma família com três filhos que tiveram exatamente a mesma educação notar o problema em apenas um deles.
Mas o ambiente em que a criança vive tem papel fundamental no desenvolvimento do transtorno. Se a família é muito permissiva e não estabelece regras claras, limites, normas e ensinamentos éticos ou ela cresce sofrendo violência ou agressão dos pais, isso tudo aumenta o risco do problema. Outro desencadeador é quando há falta de diálogo entre filhos e pais e entre mãe e pai. Quando os envolvidos “não falam a mesma língua”, fica difícil lidar com os problemas que aparecem.

C.: No livro, você diz que o Transtorno Desafiador Opositivo é comum nos consultórios médicos. Como é possível ter um diagnóstico preciso, já que os sintomas se confundem com outros problemas de comportamento, como os ataques de birra?
G.T.:
Para diferenciar um problema de comportamento normal de um desvio como o TDO, geralmente o especialista presta atenção em dois parâmetros principais: o funcionamento acadêmico e o social da criança. O acadêmico significa perceber se ela está indo bem na escola, se há reclamação dos professores, se ela consegue acompanhar a turma nos estudos. Quanto ao social, observa-se se a criança entra em atrito constante com os pais e irmãos, se ela não muda de opinião de jeito nenhum, se consegue se relacionar com as outras crianças. Uma ou outra característica dessas é comum. O problema é quando os sintomas são tão graves a ponto de produzir sofrimento e dor para a criança e seus familiares. Nesses casos, é recomendável o acompanhamento de um especialista e, às vezes, até medicamentos para controlar os sintomas.

C.: Há uma idade mais propícia ao aparecimento deste transtorno?
G.T.:
Como os demais desvios comportamentais, depende mais do tipo de contexto no qual a criança está inserida do que de uma idade propriamente dita. No entanto, a gente observa mais casos do Transtorno Desafiador Opositivo em crianças entre 6 e 8 anos de idade, que é quando as relações sociais começam a ficar mais bem definidas.

C.: O que é mais recomendável que a família faça diante de um chilique da criança? Existe alguma maneira rápida e eficiente de lidar com a situação?
G.T.:
A ideia central do meu livro, O Reizinho da Casa, é justamente oferecer técnicas de intervenção para pais de crianças opositivas, desafiadoras e desobedientes. No calor do momento, os pais precisam mandar uma mensagem clara para o filho de que aquele comportamento não é correto e não será tolerado. O ideal é aprender a lidar com a situação e evitar que o chilique apareça. Defendo que técnicas de reforço positivo e punição branda devem ser aprendidas por todos os pais e usadas quando necessário. Claro que um médico especialista em comportamento infantil deve ser acionado em alguns casos.

C.: E quando o TDO se manifesta na escola, como os professores podem identificar e lidar com o problema?
C.T.:
Alguns dos sintomas mais observados na escola são: discussões com professores e colegas, recusa em trabalhar em grupo, não aceitar ordens, não fazer lição, lidar mal com críticas, desafiar a autoridade de professores e coordenadores, fazer tudo à sua maneira, perturbar os outros alunos e responsabilizar os outros por seu comportamento hostil. Ao perceber a presença recorrente desses sintomas, o melhor é a direção da escola conversar com os pais imediatamente.

Fonte: Revista CRESCER

domingo, 3 de novembro de 2013

Receita antimanha: 7 maneiras de evitar a birra

 
1. Sentimentos para fora
A primeira delas é auxiliar a criança a verbalizar o que ela está sentindo, como aconselha a psicanalista especializada em desenvolvimento infantil Christine Bruder, do berçário Primetime Child Development (SP): “Se a mãe explicar ao bebê que ele está chorando porque está com raiva ou frustrado, ele vai aprender a conhecer seus sentimentos”. E não ache que está falando em vão. Desde bem pequenas, as crianças entendem o que ouvem, nem que seja apenas pela entonação dos pais.
 
2. Muita calma nessa hora
O segundo passo é dar alternativas para que a criança se acalme. Aqui vale de tudo: um passeio no parque, fazer carinho no cachorro ou o bom e velho colo, desde que não seja isso que ele está pedindo. O importante é a mãe ajudar o filho a montar um repertório de soluções para manter a calma e não deixar que o nervosismo tome conta.
 
3. Diálogo sempre
A terceira tática é sempre conversar antes. Se você vai à casa de um amigo ou ao shopping e sabe que seu filho costuma dar show nessas ocasiões, explique tudo para ele antes. Diga o que vão fazer, aonde vão, que ele precisa ficar ao seu lado ou ajudar nas compras, por exemplo. Na primeira vez, pode não funcionar, e aí você deve lembrá-lo do que conversaram. Fazendo desse combinado uma rotina, nas próximas vezes é bem provável que dê certo.
 
4. Pequenas frustrações
A quarta dica diz respeito às regras. Uma boa forma de ensiná-las é, de acordo com Christine Bruder, introduzir pequenas frustrações para crianças em torno de 1 ano de idade, como, por exemplo, fazê-la esperar um pouco pela mamadeira, não dar colo sempre que solicitado ou, ainda, fazê-la aprender a esperar terminar uma conversa ao telefone para brincar com os pais. “Frustração faz parte da vida. Se os pais forem introduzindo isso de maneira singela, criam, a longo prazo, uma criança emocionalmente mais forte, que aprende a tolerar, respeitar, a ser mais confiante e mais segura”, explica a psicanalista. Seu filho não vai aprender em uma única vez – você vai precisar conversar, falar e ensinar de novo e de novo – e, claro, mesmo com todas essas técnicas, cada criança tem um tempo para amadurecer.
 
5. Birra na certa!
Sono, fome, cansaço... Todas essas palavras se encaixam no quinto passo. Isso porque esses sintomas normalmente são gatilhos para uma crise de birra. Se o seu filho costuma ficar mais manhoso nessas situações, tente preveni-las. Não marque uma ida ao mercado, banco, manicure ou à casa de uma amiga justamente nos horários em que a criança está acostumada a comer ou dormir. Mas, se não for possível e a birra acabar acontecendo, seja mais paciente e compreensivo, afinal, até nós, adultos, ficamos mal-humorados se estamos com fome ou sono, não é?
 
6. Mudança de foco
A sexta estratégia é para aquele momento imediatamente anterior ao provável chilique, quando você percebe que o perigo está se aproximando. Se vocês estão na loja de brinquedos e seu filho começa a insistir muito que quer um, por exemplo, a melhor coisa é desviar o foco antes que ele comece a bater o pé. Vale chamar a atenção para algo que esteja acontecendo em outro ambiente, oferecer algum alimento do qual ele goste ou até mesmo recorrer à história preferida dele.
 
7. Limite sempre
A sétima, e talvez mais importante missão dos pais na operação "antibirra", é o famoso LIMITE. Como escreve a psicóloga Tânia Zagury em seu livro Limite sem Trauma (Ed. Record), “a criança nasce sem qualquer noção de valores, sem saber o que é certo e errado. São os pais que devem paulatinamente mostrar aos filhos o que se pode ou não fazer em sociedade”. Por isso, especialistas concordam que, quando o seu filho dá um chilique daqueles que todo mundo se sente no direito de julgar, das duas, uma: ou os pais cedem com facilidade aos desejos da criança, ou eles ainda não explicaram claramente que a vida é feita de regras.

Claro que é muito mais fácil dizer “sim” do que “não”. É muito melhor você ter o rótulo de pai ou mãe mais legal do mundo do que ser chamado de chato. Até por isso, muitos de nós têm dificuldade de definir até onde o filho pode ir. E quando você não deixa claro desde cedo o que é certo e o que é errado, não dá para exigir que seu filho controle as emoções quando tiver um desejo negado – afinal, dificilmente ele entenderá o porquê da proibição.

Texto retirado da REVISTA CRESCER.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Sete coisas que você pode fazer pelo cérebro do seu bebê



Você sabia que o cérebro, essa máquina tão complexa, é uma das primeiras coisas que se formam no bebê? Já na segunda semana de gravidez, quando ele mede apenas três milímetros, surge o tubo neural, estrutura embrionária que vai dar origem ao cérebro e à medula espinhal.
Na quinta semana, os hemisférios direito (responsável pelas funções espaciais e visuais) e esquerdo (responsável pela linguagem) já começam a ser formados. O ápice da produção de neurônios acontece na 10ª semana e, daí por diante, o bebê já reage a sons, mexe os bracinhos e começa a acumular uma série de experiências.
“Após o nascimento, o cérebro da criança continua a se desenvolver, atingindo o auge nos primeiros 3 anos. Até os 8 ou 9 anos existem algumas áreas que ainda não estão completamente formadas”, explica o neuropediatra Luiz Celso Vilanova, da Universidade Federal de São Paulo.

Como a biologia manda, o cérebro do seu bebê vai crescer de qualquer jeito, mas nada impede que você dê uma forcinha para que ele se desenvolva de maneira mais completa. Nós elencamos sete dicas valiosas. Confira:


1. Companheiro de todas as grávidas: ácido fólico
Esse nutriente ajuda a formar o tubo neural da criança e é tão importante que os médicos a indicam mesmo antes da gravidez. A recomendação do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, mantida pela Agência Nacional de Saúde, é de que as grávidas precisam de 0,4 a 0,8 miligramas de ácido fólico por dia no período de três meses antes da concepção e três meses depois.

“Para se conseguir as doses diárias, a mulher precisa estar com o pré-natal em dia e seguir uma alimentação balanceada. O ácido fólico está presente em cereais integrais, vegetais e folhas verdes escuros, feijão e suco de laranja”, afirma a nutricionista Juliana Dragone (SP).


2.  Peixe amigo
Essa carne branca é rica em ômega-3, uma gordura importante para a formação da membrana externa das células cerebrais. Ela permite uma troca rápida e mais eficaz de ‘mensagens’ entre as células nervosas. Por isso, a grávida pode abusar de salmão, atum e sardinha. “Só é preciso evitar peixes com muita concentração de mercúrio, como cação e peixe-espada. Esse metal passa pela placenta e pode trazer danos neurológicos ao bebê”, explica Juliana.

 
3. Quanto mais interação melhor
Após o nascimento, a criança aproveita melhor o estímulo se houver interação com os pais, como explica o neuropediatra: “É importante a mãe conversar com a criança, falar devagar, usando expressão facial, sempre olhando nos olhos dela, falar o nome dela, o nome do pai. Mesmo que o bebê ainda não entenda o significado daquilo, conversar vai fazer com que o cérebro fique mais preparado para, aos poucos, ir entendendo melhor a linguagem.”


4. Carinho de mãe
Um estudo feito pelo Baylor College of Medicine, no Texas, nos Estados Unidos, mostrou que crianças que não são frequentemente tocadas ou acariciadas pelos pais têm áreas do cérebro menores em comparação as outras crianças da mesma idade. Por isso, o contato físico com o filho, além de ser uma demonstração de carinho, dá a ele uma vivência nova, que ele não pode experimentar quando estava dentro do útero da mãe. Um abraço ou uma massagem corporal ajuda a diminuir o estresse do bebê e aumenta os sentimentos de bem-estar e segurança emocional.


5.  Hora de brincar
E existe maneira mais gostosa de aprender do que brincando? É nessa experiência de descobrir objetos diferentes, coloridos, brilhantes com texturas e funções diferentes que a criança vai desenvolver melhor suas funções, como a visão e o tato, além de ativar regiões no cérebro que liberam noradrenalina, substância que ajuda no aprendizado. Mas o neuropediatra alerta: “O brinquedo é apenas um instrumento. Não adianta os pais deixarem a criança com um monte de objetos legais e ficarem falando ao celular, por exemplo. É importante haver uma interação, os pais precisam participar dessas brincadeiras, principalmente nos primeiros anos de vida do filho”.

 
6. Aguce a imaginação com a leitura
Ajudar seu bebê a desenvolver uma paixão precoce por livros é um bem que ele vai carregar para o resto da vida. Se a criança for muito pequena, escolha livros com imagens grandes e coloridas e leia muito para ela, variando o tom de voz conforme a história. Simplifique ou elabore mais do que a situação descrita e incentive a criança a participar de alguma forma. Especialistas afirmam que a construção da linguagem receptiva do bebê (compreensão das palavras faladas) é, num primeiro momento, mais importante do que o desenvolvimento de sua linguagem expressiva, ou seja, da fala.
 
7.  Música para despertar emoções
Esse tópico pode começar a ser trabalhado desde a gravidez, afinal, música tem o poder de despertar emoções, não é mesmo? E isso é extremamente estimulante para o cérebro, conforme explica o neurologista infantil Mauro Muszet, da Unifesp: “Quanto mais precoce os pais apresentarem a música como forma positiva, relaxante, maior é a tendência de a criança valer-se dela para desenvolver a linguagem e o aprendizado. Além disso, crianças com inclinação musical têm potencialmente maior possibilidade de lidar melhor com aspectos emocionais”.

Agora que você já leu todas as dicas, saiba que de nada elas adiantam se não houver dois ingredientes essenciais para qualquer tipo de desenvolvimento, seja ele biológico ou emocional, do seu filho: amor e muita dedicação. Você pode colocar uma ou duas dessas dicas em práticas, mas, se houver muito amor, o desenvolvimento - certamente - será pleno.

Texto retirado: REVISTA CRESCER